Passamos
agora às cores. A arte de tingir pertence desde os velhos tempos
ao Oriente; seus tinturistas são cuidadosos principalmente com
o acabamento, o fator decisivo para se conseguir o brilho e a vivacidade
necessários das cores, responsáveis pela magia dos tapetes.
As
cores naturais que ainda hoje são usadas no Oriente são
extraídas das plantas, animais e minerais.
Dizem
que até 1865 os tapetes eram tingidos com cores naturais; nesta
data foi introduzida a anilina para pigmentar a matéria-prima;
as primeiras peças pintadas por este processo não corresponderam
à expectativa, sendo tingidas novamente com cores naturais. Houve
um aprimoramento e descobertas de tintas químicas que vieram
concorrer para que as grandes manufaturas não dependessem mais
das cores naturais. Porém, os povos nômades até
hoje continuam tingindo como faziam na Antigüidade; eles apresentam
as maís bonitas cores naturais como podemos ver num Bergama,
Yuruk, e outras peças provenientes do Cáucaso.
Os
tons mais usados nos tapetes Orientais são resultantes das misturas
das cores básicas.
Azul: é extraído do ramo de flores ou folhas da planta Índigo;
ela pertence ao grupo das mais duráveis e brilhantes cores. O
azul significa simbolicamente no setor persa: ar, eternidade e para
o povo mongol, força e poder.
Verde: é a cor sagrada islâmica; a bandeira dos profetas é
verde; por isso, essa cor é pouco usada; a repetição
constante poderá quebrar a tradição; esta cor é
sinal de identificação do tapete de oração
de uma mesquita. A combinação verde e branco significa
no Oriente a alegria; na China, o verde é a cor do aparecimento
da primavera e a bondade no coração; o pigrnento usado
para tingir é retirado da espinha ou da mistura da casca da maçã
vermelha ou do Indigo, planta cor de anil.
Amarelo: significa para os persas felicidade, ouro e riqueza; para os chineses:
terra, fidelidade e fé. Nos velhos tempos, o amarelo era retirado
do açafrão. Também eram muito usados os ramos de
curcumina e casca de maçã vermelha.
Amarelo-laranja: é o símbolo da devoção. Esta cor era retirada
dos espinhos do arbusto do alcana.
Vermelho: para os persas, dependendo da tonalidade, mais escura ou mais clara,
esta cor é o símbolo do zelo e traz alegria. No sul da
China, esta cor simboliza o sol, a cortesia. A fonte mais conhecida
da tinta vermelha é acochonilha, que alcança uma escala
que vai do rosa ao vermelho-preto. A tinta é extraída
do piolho que dá na casca do fruto dessa planta.
Marrom: é conseguido da lã incolor do camelo; existe uma graduação
que vai do marrom-claro até o escuro quase preto. O marrom luminoso
pode ser conseguido com a casca de uma maçã vermelha de
carvalho nanico. O óxido de ferro também foi muito usado,
mas descobriram que com o decorrer dos anos as fibras iam ficando feias.
Preto: é uma cor rara; no norte da China, esta cor significa água
de inverno; ela é conseguida com o óxido de ferro.
Finalmente,
é bom lembrar que as cores principais como azul, vermelho, amarelo,
podem ser misturadas até se conseguir a tonalidade desejada.
As cores mais comuns no Oriente são: vermelho, amarelo, verde,
azul, branco e preto.
Na
Ásia Menor encontramos, além das cores mencionadas, o
marrom, violeta e mais raramente o cinza.
As
tonalidades intermediárias são encontradas nas peças
vindas do Cáucaso, Turquia e Afeganistão.
Classificação
das Cores |
Pérsia |
Índia |
Cáucaso |
Ásia
Menor |
Ásia
Central |
vermelho |
vermelho-vinho |
vermelho-cobre |
vermelho-tijolo |
vermelho-castanho |
verde |
verde-oliva |
verde-capim |
verde-rosado |
outras
tonalidades |
azul |
azul-marinho |
azul-escuro |
azul-esverdeado |
misturas |
amarelo |
ouro |
amarelo-forte |
limão |
- |
branco |
casaca
de ovo |
branco-forte |
branco-claro |
- |
Quando
falamos em cores legítimas nos referimos em primeiro lugar a
vivacidade da cor, que não pode esmaecer; as cores devem ser
garantidas e impermeáveis a água. |