Este
elemento é composto de desenhos que representam a natureza oriental.
Essa ornamentação de linhas vibrantes e acabamento esmerado
é encontrada nos tapetes de luxo e nunca nas peças acabadas
pelos nômades.
Quanto mais fino o atado dos tapetes, mais naturais se tornam as linhas
que contornam o desenho. Uma laçada grosseira só pode
dar a impressão de linhas desnivelada.
A seguir trataremos da origem e das possibilidades de organização
da ornamentação floral, pois, à semelhança
dos ornamentos geométricos, estes também tem diferentes
representações.
Motivos
Florais
Palma: a origem de brotos e folhas ocupa um lugar especial nas configurações
dos velhos tapetes orientais. A iniciação desse motivo
tem várias versões. Assim, podemos ver este motivo nas
primeiras peças originais como fazendo parte de uma flor de lótus,
parte de leque ou leque inteiro de uma palma. A forma persa da palma
se assemelha ao velho símbolo usado pelos assírios. As
incontáveis e distinguíveis formas de palma podem ser
divididas nos seguintes grupos:
Palma
em cruz: seu contorno lembra uma coroa enlaçada.
Palma
em cálice: é reconhecida pela sua forma de cálice
como ponto central, rodeada por um conjunto de folhas.
Palma
de leque: assim são denominadas as palmas que se assemelham
a um leque aberto. Nas velhas peças encontramos freqüentemente
conbinações de palmas, que tem como ponto central uma
palma de leque.
Folha
em forma de palma: esse motivo se compõe de bonitas folhas.
Existem variações em torno da folha de palma, formando
uma folhagem de brotos e folhas de palma.
Palma
de sarraceno: para reconhecimento deste motivo, observe se há
uma forma enrolada e arredondada das folhas. Ela se originou na antiga
arte de Maommed e ainda contém fortes sinais do entrelaçamento
da arte bizantina. É também conhecida como palma bizantina.
Palma
de arabescos: ela se caracteriza pelos arebescos entrelaçados.
Palma
de disco: aparece sob a forma de um vaso arredondado ou elíptico.
São mais comuns nos tapetes antigos.
Palma
xá Abbas: esta forma só aparece nos antigos tapetes
Dschouschegan. Ela é conhecida também como Palma Dschouschegan.
No centro da palma contornada, temos um desenho completamente independente.
As palmas com animais, máscaras e gênios, são fáceis
de serem identificadas pelos seus desenhos centrais que representam
os elementos mencionados. O desenho da palma nos tapetes começa
com o enlaçamento de desenhos pequenos quase invisíveis
até o motivo central, como se vê nas peças de 1650.
Este enlaçamento aparece mesmo nos tapetes das antigas regiões
da Ásia Menor, Armênia e leste da Pérsia, onde a
palma aparece fortemente geometrizada.
Arabescos: como a palma, o arabesco é um dos principais motivos do Oriente.
Eles compreendem desenhos cheios de variações que se unem
entrelaçados, compondo conjuntos tipo trepadeira. O arabesco
persa é mais delicado e mais limpo que o mourisco. Nas províncias
da Ásia Menor encontra-se uma forma estilizada de arabescos.
Para
todos os povos do Islã, os arabescos representam figuras humanas
e de animais, devido à proibição de reprodução
destas figuras pela religião que professam. A origem dessa ornamentação
representa a sabedoria grega.
Árvores e arbustos: este motivo está ligado diretamente
à religião. Os antigos nômades acreditavam que a
alma das árvores subia ao céu. No círculo cultural
persa se conhece duas árvores sagradas: Allheil (salva tudo),
que cura tudo e que faz cair na terra todas as sementes dos vegetais,
e a Haoma, árvore da vida, que dá imortalidade.
Na
mitologia indiana, estas árvores estão englobadas com
a árvore da força e da vida imortal de toda a natureza.
Na China, esta árvore divina também tem grande importância.
Na religião maometana, a "Tiba" é a árvore
da vida. Na ornamentação da Turquia e do Kudistan, a árvore
sagrada dos velhos tempos também tem seu lugar; sua forma é
igual à árvore de Natal. Nas regiões persas, estas
árvores são representadas com raízes e massa de
terra.
No
oeste da Turquia, esta árvore é representada pela figura
de um cedro, enquanto que na Pérsia esta árvore é
o cipreste. Os ciprestes nos tapetes Kirman são especialmente
delicados e também valem como sinal de reconhecimento nos tapetes
de Xá-Abbas-Ara. A repetição da metade de um cipreste
formando colunas imaginárias indica que a peça é
de origem indiana.
Galhos
e trepadeiras: as diversas formas de trepadeiras podem ser encontradas
tanto nas partes internas como nas beiradas dos tapetes. As únicas
peças que não seguem essa regra, (consideradas exceção),
são os tapetes antigos da Ásia Menor e os feitos pelos
nômades. As trepadeiras se dividem nos seguintes grupos:
Trepadeira
espiral: trepadeira simples onde se vê nitidamente a forma
espiral.
Trepadeira
de flor: neste motivo aparece o caule grosso estilizado; ele aparece
freqüentemente nos tapetes velhos de Uschak e Siebengurger.
Trepadeira
arabesco: nesta variação os elementos florais são
formados com os próprios arabescos.
As
gavinhas desempenham um papel importante no desenho dos beirais dos
tapetes orientais; elas são o motivo fundamental dos tapetes
orientais; os desenhos formados por elas variam muito nas formas onduladas,
que podem ser partidas ou inteiras e que se cruzam ou se entrelaçam.
Nos tapetes persas e indianos, elas são freqüentes. As gavinhas
onduladas partidas são características dos tapetes caucasianos,
da Asia Menor, dos povos nômades e das províncias persas.
Nas
peças persas de Herat, encontramos o galão Herat que é
composto de uma seqüência de gavinhas que obedecem à
seguinte ordem: folha - lança - palma ou arabesco - folha - lança
- roseta - folha - lança palma ou arabesco - folha - lança
etc... Essa seqüência é infindável e simboliza
a duração e a repetição da vida.
Folhas:
somente em tapetes de luxo aparecem imagens de folhas. Apesar de serem
muito pouco importantes no papel decorativo das organizações,
elas auxiliam muito no reconhecimento da procedência e da idade
da peça. Os grupos mais característicos são: folhas
comuns, folhas com lanças e três folhas. Para reconhecermos
as variedades das folhas, basta contarmos suas reentrâncias, que
vão de três até oito. Os desenhos de folhas rigorosamente
estilizados são caracteristicos das velhas peças armênias
da Ásia Menor e do nordeste persa, como por exemplo, o tapete
Joraghan. No Cáucaso, era empregada seguidamente a garra de pássaro,
também chamada folha de duas fendas; ela se repetia duas ou quatro
vezes na sequência.
Nos
tapetes de luxo persa, é costumeiro se repetir 2 vezes um conjunto
com duas folhas, e ainda se acrescentar mais uma folha em cada grupo,
ficando três folhas juntas.
Folhas
pontudas: estas são muito freqüentes nas peças
indianas.
Folha
de lança: este motivo foi inspirado na folha de acalanto.
No país persa elas tomam diversas formas. Os tapetes da Ásia
Menor têm bonitas formas e são chamados de tapetes sírios.
Três
folhas: este motivo é originado da arte sarcênica e
particularmente se encontra nas velhas peças persas. Seu beiral
é maravilhoso, formado com três folhas colocadas em posições
desencontradas.
Flores
e botões: este motivo se apresenta na ornamentação
dos tapetes orientais com diversas formas simples ou compostas. Esta
decoração sobrepuja artisticamente os outros motivos.
Entre as flores que compõem este motivo, temos a predileta dos
orientais, que é o lirio, mas junto dele temos cravos, tulipas,
narciso, jacinto, flor de lótus girassol, e a henna predileta
dos profetas. Além destas flores, encontramos em grande quantidade,
brotos e outras flores.
Lírio: lírio branco, muito usado na Índia como símbolo
da inocência e da pureza. Nas peças persas se apresenta
em forma de imagens diversas. O lírio espada é o símbolo
da sorte, da liberdade. Nos tapetes da região de Konia, temos
as beiradas e a área interna decoradas com formas de lírio;
por isso, ele é chamado de flor de Konia. Broto de henna: é
o broto de uma flor muito importante na região islâmica
e aparece principalmente nos tapetes Sultanabad. É encontrada
geralmente no centro de formas ovaladas.
Cravos: essa flor aparece na sua forma natural; está presente em
todas as peças persas e indianas. Uma das características
dos tapetes das províncias da Ásia Menor principalmente
nos de oração, é a forma estilizada desta flor.
Tulipas: se originaram na Ásia Menor.
Flor
de lótus: na mitologia chinesa e oriental de um modo geral,
esta flor é sagrada e representa um grande papel. Na Pérsia
ela é o símbolo da imortalidade. Buda é colocado
sobre uma flor de lótus. Para os chineses, ela é o símbolo
da fertilidade. A figura da flor de lótus tem uma forma de rosa
d'água.
"Paonie",
rosa de Pentecostes: esta flor é usada nos tapetes chineses e turcos do oeste.
Crisântemos
e rosas: estas flores são encontradas no setor cultural chinês;
sua confecção exige grande perícia artística.
Maçã
granada: muito poucas frutas gozam do prestígio da maçã
Para os assírios, esta fruta servia de alimento religioso.
Na
China, é representada por uma porção de sementes
que simboliza as bênçãos para as crianças.
As maçãs aparecem na forma natural e estilizada. A maçã
granada é desenhada como um ananás, forma oriental da
fruta. A maçã granada aparecia como simples ornamento
e passou depois a ser um motivo muito importante.
Roseta: este motivo é representado por uma rosa que significa pensamento.
Ele pode ser empregado só ou conjugado com outros ornamentos.
É comum encontar-se a roseta com a representação
sintetizada de um cálice de flor, folhas e flores.
Mir-i-Botah: este motivo é um pequeno ornamento ou são inúmeras
linhas que se repetem enchendo a base do tapete; ele se repete em quase
todos os tapetes orientais sob designações diversas: ponta
da palma, pêra, amêndoa, bicos, jóia, mas todas estas
designações têm um unico significado: "flor
do príncipe".
Eles
são localizados junto a ponta ou topo de outro motivo. Pode ser
repetido, dobrado ou colocado em posição inversa um do
outro. A origem e a significação desses nomes foram pesquisadas
e conseguimos saber alguma coisa, por exemplo: bico - simboliza longa
vida; laço de rio - o retorno dos dons desviados dos santos rios
indus Ganges ou Dchichlam em Kaschmir. Os desenhos de amêndoas
ou pêras são assim denominados pela semelhança com
a forma dessas frutas. Jóia - é a denominação
dada ao principal motivo Mir-i-Botah que aparece na coroa dos antigos
soberanos do Irã. Chama ou labareda: motivo muito empregado na
tapeçaria, tem a forma semelhante a uma labareda ou chama. Bem
antes de procurarmos significado para estes motivos, os persas dos velhos
tempos já adoravam o fogo, razão do uso constante desse
motivo.
A
representação deste motivo significa que há uma
ligação religiosa. Imagina-se que o motivo labareda tenha
se originado de um pacto feito pelos principais povos orientais de assinarem
suas peças com as mãos, tornando-se elas a marca registrada.
Observando-se esta marca veremos a semelhança dela com uma labareda,
não deixando nenhuma dúvida entre esta relação.
Esta marca ajudava a preservar a cultura desses povos.
A
variação mais usada do Mir-i-Botah é aquela que
mostra pontas com as linhas dobradas colocadas em direções
contrárias. Os tapetes de Serabend e Schiraz formam uma exceção,
pois as linhas do motivo correm paralelas. No centro-leste da Pérsia
se originaram em torno desse motivo pequenos ornamentos quase cruzados.
Do sul e do oeste da Pérsia nos chegam ornamentos com desenhos
maiores, como também do Cáucaso onde são comuns
as formas estilizadas. Nos Serabend, o Mir-i-Botah vem como uma característica
do desenho do beiral com o nome de beiral Chekri.No tapete Mir de Mirabad,
o motivo é feito proporcional ao tamanho do desenho do tapete;
quando ele é muito pequeno, leva um desenho minúsculo
chamado motivo pulga.
Fita
Ondulada:
Figura
ondulada comprida com aspectos de uma cobra. A fita ondulada é
sempre encontrada nos tapetes do Oriente simbolizando a vida, a imortalidade
e o poder de Deus. Sua origem parece ter sido na mitologia budista,
herança deixada pela antigüidade chinesa. As fitas onduladas
aparecem sobre estranhas formas simétricas ou assimétricas.
Nos tapetes que surgiram no século XIX, a forma original já
tinha sido deturpada. Nos tapetes de família, a fita ondulada
pode ser dividida:
Tschi: pequenos ornamentos em forma de concha, que nos tempos passados talvez
formassem algumas ondas. Para o povo chinês, este motivo significa
esponja sagrada, que simboliza a imortalidade. O motivo tschi pode aparecer
em conjunto ou separado; ele é parecido com uma concha.
Tschintamani: este motivo perdeu sua importância nos tempos do xá
Abbas: ele é simbólico para a doutrina budista, pois é
um motivo chinês. Ele é representado por três bolas
formando um triângulo. Na Ásia Menor, ele é conhecido
como motivo Timur, símbolo das armas utilizadas para conquistar
Timur da Mongólia.
Relâmpago: este motivo é representado por duas passagens paralelas formadas
por fitas amarrotadas. Sua aparência é ondulada imitando
raios de relâmpago.
Montanhas: este motivo pertence à mitologia mongólica, encontra-se
nas peças chinesas e nos tapetes do oeste da Turquia.