Harém
A
palavra "Harem", que vem da palavra árabe "Haram" -
"proibido pela religião", descreve o lugar onde o sultão
vive com a sua família. Harem que tinha uma aplicação mundial de
"Céu" cheio de belezas prometidas aos homens religiosos pelo
Islão, era uma parte inseparável da dinastia otomana desde a sua fundação.
Depois do Palácio Topkapi ter sido construído, todo o governo mudou-se
para aqui, mas a família do sultão continuou a viver no antigo palácio
em Bayezid por mais 8O anos. Durante o reinado do sultão Solimão
Kanuni, a família deste mudou-se para edifícios de madeira no Palácio
Topkapi, devido a pressão exercida por Hurrem, segunda mulher do sultão,
depois de ter ocorrido um incêndio no antigo palácio. Foi então que a
influência do Harem e as mulheres dos sultões começou a crescer sobre
o governo e sobre o próprio sultão.
Muitos novos edifícios foram construídos substituindo os de
madeira que ficaram completamente destruídos num incêndio em 1 666.
Surgiu então um complexo, de edifícios com cerca de 300 quartos, em
que apenas uma parte está aberta às visitas. Todos os edifícios que
hoje vemos foram construídos nos séculos XVI e XVIII. Para visitar o
Harem, aberto pela primeira vez ao público em 1 971, temos de comprar o
bilhete no guichê do segundo pátio e participar na visita guiada que
se realiza cada 30 minutos com os guias locais em várias Iínguas. A
visita começa a partir da porta de saída utilizada anteriormente para
os coches.
O
harem estava isolado do mundo exterior e a entrada era um privilégio
permitido apenas aos parentes mais próximos do sultão e aos que
trabalhavam no seu interior. Em
determinados dias, homens de apenas 3 grupos profissionais tinham
a permissão de entrarem em alguns quartos do harem. Era o caso dos médicos
nas suas consultas de rotina, professores dos príncipes e músicos
convocados para as cerimônias. Aos "Não-muçulmanos" era
totalmente interdito.
Para
além das mulheres dos sultões e mãe, também ficam no harem, os irmãos
e crianças preparados para o trono ou aqueles que serão afastados dele
e os homens e mulheres que trabalham para esta grande família.
Enquanto
alguns sultões tinham relações com apenas quatro mulheres como é
permitido pelo Islão alguns tinham centenas de mulheres no harem. Por
exemplo, diz-se que havia cerca de 1 200 mulheres no harem de Murat III,
o primeiro sultão que passou quase todo o
seu tempo com as mulheres ignorando os trabalhos de estado.
As
"Concumbinas" que tinham a tarefa de servir o sultão, eram
raparigas novas trazidas dos países conquistados. Estavam sujeitas a um
estagio profundo no palácio, depois de mudarem-lhes o nome e converter
a sua religião. Aquelas que tinham filhos dos sultões eram levadas
para quartos especiais no harem. Outras viviam aqui e serviam a família
imperial tendo outra função ou arranjarem casamentos com homens que
ocupavam importantes cargos civis.
Quase
todas as mulheres que vivem no harem incluindo as mulheres do sultão ou
os criados eram escravizados, comprados em mercados de escravos ou
oferecidos ao sultão e depois tornados muçulmanos. Estas mulheres de
singular beleza, eram trazidas para Istambul de todas as partes do
mundo, e ficando intimas do sultão davam-lhe filhos. Mas nem sempre
eram fiéis ao sultão e a dinastia otomana devido à sua condição de
vida em "prisão". Estas mulheres, sentenciadas a viverem no
harem e cujas famílias tinham sido escravizadas ou mortas pelos
otomanos, não dispensavam muitas vezes o papel principal nas intrigas
contra o sultão.
Em
vez da imagem magnífica do palácio, as mulheres viviam numa atmosfera
competitiva. Uma vez que o sultanado na dinastia otomana passa do pai
para o filho mais velho, o objetivo de todas as concubinas em dar à luz
o primeiro filho do sultão e assim tornarem-se na "haseki" (a
preferida) do sultão. Essa era a única forma de garantirem o seu
futuro. Por outro lado não era suficiente ser a mãe do primeiro filho,
mas também manter seu filho vivo até a morte do sultão. Muitas
concubinas tentavam matar os outros filhos de forma a permitirem os seus
a herdar o trono. Existiam também brigas entre as favoritas do sultão
a a sua mãe (Rainha-Mãe) que era a dona absoluta do harem e a segunda
pessoa mais importante depois do sultão no que diz respeito à influência
na administração do império. Tinha cerca de 40 quartos e os seus próprios
empregados.
Fora
os quase 300 quartos, existiam 46 toaletes, 8 banhos turcos, 4 pequenas
cozinhas, 2 mesquitas, 6 despensas, uma piscina e um hospital, construídos
numa área total de 6 700 m2. O Harem é normalmente composto por 3
largos pátios e quartos dispostos à sua volta. Estes quartos
pertenciam à Rainha-Mãe, mulheres do sultão, príncipe herdeiro,
concubinas e ao "Eunucos Negros', estes responsáveis pela proteção
do harem. Os Eunucos Negros eram homens muito fortes tornados cativos
durante as guerras na África. Cerca de 40 viviam no harem e os seus
deveres exigiam poder masculino. O Chefe dos Eunucos era a terceira
pessoa mais importante a seguir ao sultão e à Rainha-Mãe.
Durante
a visita com o guia local, os visitantes podem ver tudo de perto:
quartos dos Eunucos Negros, o Pátio dos Azulejos, a Escola do Príncipe
Herdeiro, o Pátio das Mulheres do Sultão, os quartos, a cama da
Rainha-Mãe, sala de jantar, sala do serviço divino, o banho turco em mármore
preferido pelo sultão pela sua segurança, quarto de dormir do Sultão
Abdulhamit que reinou no século XVIII, a maravilhosa Sala do Trono de
Murat III que reinou no século XVI, a elegante biblioteca de Sultão
Ahmet, Sala de Jantar de Ahmet III (as paredes desta sala que se chama
"Yemis Odasi" estão decoradas com belos motivos florais),
pequenos quartos onde os irmãos
do sultão viviam durante anos e o "Caminho de Ouro" com 46
metros onde o sultão se encontrava com as suas concubinas.
Apesar
da saída do Harem ser no terceiro pátio, vamos observar o segundo pátio
antes
do
terceiro e dar pequenas informações sobre os seus edifícios neste pátio.
O edifício que fica mesmo, ao pé da entrada do harem, chama se "KUBBEALTI"
(a cúpula) e era o centro da administração do império otomano Os
vizires, presididos pelo Grande Vizir, reuniam-se aqui
4 dias por semana e tomavam importantes decisões políticas
internas e internacionais nesta enorme sala decorada. O quarto atrás da
janela gradeada localizada na parte superior desta sala, foi planejada
para que o sultão sem ser visto pudesse observar e ouvir o que se
passava nessas reuniões. Este edifício era também utilizado para
negociações de estado com embaixadores estrangeiros.
A
torre (com 40 metros de altura) situada precisamente acima de Kubbealti,
era chamada "Torre da Justiça", construída como torre do relógio,
tornou-se um dos símbolos da arquitetura, não só do palácio, mas
também de Istambul.
A
parte utilizada como Tesouraria Estrangeira nos tempos otomanos e
localizada ao lado de Kubbealti é utilizada com Exposição de
Armaduras. Em anos anteriores, era aqui guardado os impostos de várias
regiões e os ordenados pagos todos os 3 meses. As peças mais
importantes são as espadas do Sultão, Mehmet II (O Conquistador)e de
Muaviye (um dos comandante do Islão), a armadura do cavalo do Sultão
Yavuz Selim que conquistou o Médio Oriente, muitas armas estrangeiras e
espingardas, espadas de carrascos, setas iranianas e turcas, conjuntos
de arco e flecha, outro tipo de espadas, escudos e armaduras, datados
entre os subsolos XVI e XIX.
Passando
do segundo pátio ao terceiro, a porta à nossa frente, chama-se
BABUSSADED
ou
AKAGALAR terceira maior porta do palácio. Durante 400 anos, as cerimônias
mais importantes eram realizadas em frente a esta porta, que divide a área
administrativa da área residencial do sultão. Cerimônias de entronização
dos novos sultões, acompanhamento do exército para um estado de
guerra, celebrações das novas conquistas, e as recompensas aos Janízaros
eram realizadas debaixo do telhado, suportado por 6 colunas em frente a
esta porta. Durante as cerimônias, a bandeira otomana era colocada (o
estandarte) no buraco da pedra ao centro e à sua frente o trono do sultão
e todos os funcionários civis de alto nível e comandantes tomavam os
seus lugares em volta desta porta formando um semi-circulo.
Quando
transpomos Babussaded, o primeiro edifício à nossa frente no terceiro
pátio, chama-se "ARZ ODASI", ricamente decorado de azulejos.
Há
um trono e uma fonte na parede no canto esquerdo desta sala da recepção
onde eram apresentadas as decisões tomadas em "Kubbealti" e
onde os embaixadores estrangeiros eram recebidos com cerimônias. O som
do chapinhar da água da fonte, água que deixavam correr durante as
negociações privadas, evitava os "ouvintes indesejáveis".
Os
azulejos de cor amarela, verde e turquesa são os melhores exemplos da
arte de azulejaria dos otomanos. Os desenhos destes azulejos podem ser
vistos freqüentemente nos tapetes clássicos feitos à mão. Pode
ver-se nas paredes em frente da sala de recepção, escritos árabes e
monogramas dos sultões.
O
edifício do lado direito da entrada do 3º pátio era a antiga escola
do palácio, embora hoje em dia seja usado como escritório da direção
do museu.
A
primeira coleção na ala direita do pátio é a exposição de têxteis
na sala chamada de "Sferliler Kugusu" (Dormitório dos
Viajantes). Os trajes dos sultões otomanos, dos príncipes herdeiros e
outras roupas de valor estão aqui expostos. Ao lado desta coleção, o
quiosque Fatih, um edifício com duas grandes cúpulas, guarda o Tesouro
Imperial, uma das partes mais interessantes do palácio.
Tesouro
Imperial
Este
conjunto de edifícios utilizados anteriormente para guardar os tesouros
do palácio, designado Edifício Imperial do Tesouro foi usado desde o século
XVII durante a época otomana. No século XIX, o tesouro foi aberto a
visitas de importantes convidados europeus, sendo as obras de arte
expostas com orgulho. Exposições sistemáticas destas obras de arte,
depois do palácio ter sido convertido em museu em 1 924, revelaram a
riqueza do império otomano. A maioria das obras de grande valor
expostas no departamento imperial do tesouro, são trabalhos dos mestres
de joalharia do palácio. Sabe-se por exemplo, que no século XV, 70
mestres joalheiros trabalharam no palácio. Atualmente, a arte de
joalheria turca, sob a liderança de mestres armênios que vivem em
Istambul têm a apreciação de todo o mundo. Muitas peças de grande
valor da atual coleção, foram transferidas para a tesouraria do palácio
como presentes.
Há
um trono em cada sala do tesouro. Existem 4 salas adjacentes e nelas uma
varanda com uma vista magnífica. O trono da primeira sala, executado no
século XVII, pertence a Murat IV e é feito de ébano incrustado com
marfim. Nesta sala estão também expostos candelabros de ouro, narguilés
(cachimbos de água), serviços de jantar em ouro, caixa de música
indiana ornamentada com um elefante, armas decoradas de jóias e uma
bengala decorada de valiosas gemas, um presente do imperador Alemão
Wilhelm II.
O
trono exposto na segunda sala é um trono coberto do século XVII que
pertence ao Sultão Ahmet I. Também exposto nesta sala, a famosa adaga
de Topkapi enviada ao sultão persa Nadir pelo sultão Mahmud I. Quando
o presente estava a caminho, tiveram a notícia que o sultão tinha
morrido, regressando assim ao palácio.
O
trabalho mais interessante na terceira sala é a Colher de Diamantes (Kasikçi).
Esta preciosa gema, cujo nome crê-se ter origem no fazedor de colheres
que encontrou o diamante. Tem 86 quilates e 40 brilhantes à sua volta.
Os candelabros de ouro feitos para o túmulo do Profeta Maomet, cada um
deles decorado com 6 666 diamantes, merecem ser vistos. O trono que o
governador egípcio Ibrahim Pacha mandou para Murat III no século XVI
está aqui exposto e é de madeira de nogueira cobertos de placas de
ouro. Na quarta sala que se chega passando pela varanda, com vista para
o Mar de Mannara. está exposto o trono coberto de placas de ouro,
decorado com 25 000 pérolas, mandado ao Sultão Mahmud I pelo Xá
Nadir.
Fazem
também parte destas obras de valor, o osso do braço de S.João
Baptista, rosários, adornadas caixas de rapé, materiais de escrita,
espadas, trabalhos de marfim e azulejos. Depois da seção do Tesouro
Imperial, vemos ao longo da parede a norte
duas
salas de exposição diferentes, não tão grandes como, as outras.
Uma
destas, exibe a COLEÇÃO DE CALIGRAFIA E PINTURA, onde estão expostos
livros manuscritos, cópias dos famosos retratos dos sultões otomanos,
que são geralmente expostos nos museus europeus, e miniaturas
turco-islamicas. A sala seguinte é a COLEÇÃO DE RELÓGIOS do palácio.
O relógio mais famoso dos períodos entre os séculos XVI e XX, é o
relógio adornado de jóias oferecido a Abdulmecit II pelo Czar Russo
Nikolas. Ao lado da Coleção de Relógios fica a Sala das Relíquias
sagradas que é uma das 3 maiores e valiosas coleções do palácio.
Relíquias
Sagradas
Depois
do Sultão Yavuz Selim ter conquistado o Egito em 1 517, ele recebeu o título
"Califa" que significa o Lícler de todo o mundo islâmico. O
califa trouxe então para Istambul as relíquias sagradas que pertencem
a HZ (Exmo) Maomet. Todos os sultões que Ihe seguiram usaram este título
quando subiam ao trono. O Sultão Murat III decidiu expor as relíquias
sagradas nas duas salas adjacentes, chamadas "Hasoda" ou 'Hirka-I
Saadet Dairesi" utilizadas até então como sala privada do sultão.
Na
primeira sala, que chama a atenção com os azulejos azuis de Iznik nas
paredes interiores e exteriores estão expostas fechaduras, chaves e
também as espadas de 4 califas. Na segunda sala exposto num expositor
especial estão os pertences do profeta Maornet: o casaco, a espada, a
bandeira, o arco e flecha, uma pegada, um dente, pelo da barba e uma
carta.
A
última obra mencionada no terceiro pátio é a BIBLIOTECA DO PALÁCIO
que fica mesmo no centro do pátio, construído durante o domínio
de Ahmet III em 1 719. Quase 4 000 manuscritos desta biblioteca, construída
completamente em mármore, estão expostas juntamente com outras coleções.
Só os coloridos azulejos podem ser vistos atualmente no edifício. Há
duas passagens para o quarto pátio que é o último do palácio.
Seguindo pelos caminhos chegamos ao JARDIM DAS TULIPAS dos sultões. As
flores deste jardim são muito agradáveis sobretudo em Abril
e Maio. Os sultões tinham prazer em observar a beleza deste
jardim das varandas do PAVILHÃO SOFA que fica no canto do jardim.
Quando vamos para cima a esquerda do
jardim, chegamos a um pátio chamado "Terraço do Corno de
Ouro".
Deste
terraço tem-se um magnífico panorama do Corno de Ouro. É a melhor
vista para os bairros Eminonu. Galata e as Pontes do Corno de Ouro.
Num
lado do terraço fica o PAVILHÃO BAGDAD, construído durante o reinado
de Murt IV em 1 638, uma das obras mais elegantesca arquitetura otomana
do século XVII com os seus
azulejos azuis, cúpula dourada, armários incrustados de marfim e
carapaça de tartaruga. Só
outro lado do terraço a SALA SUNNET (sala da circuncisão ).
No fim do jardim, ao lado do Mar de Marmara fica HEKIMBASI
ODASI e o PAVILHÃO MECIDYE ao fundo das escadas. Este edifício foi o
último a ser construído antes do palácio ter sido abandonado. Foi
construído sob a ordem de Abdulmecil I. pelo arquiteto Sarkis Bayan em
1 840. A coleção Preziori existia no edifício decorado de motivos
florais.