A
seda origina-se de uma linha única e incrivelmente longa, com a qual o
bicho-da-seda constrói seu casulo. O comprimento de uma única linha pode
chegar a medir mais de 1 milha (1,6 km). A seda mais fina vem da primeira parte da linha; a seda mais tosca (chamada “seda embaraçada”)
vem dos pedaços na base do casulo. Os bichos-da-seda são cuidadosamente
cultivados, e após terem sido colhidos, os casulos são fervidos e escovados
para criar as linhas finais. Embora a produção de seda tenha nascido na
China, hoje também é realizada no Irã e na Turquia.
Fios
da Urdidura
Os
fios da urdidura, preso aos cilindros superior e inferior do tear, formam
uma importante base para a estrutura do tapete e, portanto, devem ser
resistentes. O tipo, espessura e cor dos fios da urdidura variam de país
para país, de povoado para povoado e mesmo de tribo para tribo.
A
lã usada para as linhas de urdidura é fiada à mão ou à máquina e depois
dobrada. O número de dobras varia de acordo com a tradição e o estilo
da região de tecelagem. Por vezes, e especialmente em áreas mais primitivas,
fios de pêlo de cabra ou camelo são tecidos com lã de ovelha. Também
é comum o uso do algodão, que pode ser fiado a mão ou a máquina. As urdiduras
de algodão fiadas a máquina foram introduzidas na indústria de tecelagem
de tapetes na metade do século XIX, como resultado da industrialização.
A maioria é feita de algodão indiano fiado na Inglaterra. As urdiduras
fiadas à máquina formam fios mais uniformes, com geralmente cinco ou mais
dobras. As urdiduras fiadas à mão por outro lado, são mais grosseiramente
tecidas, com três ou quatro dobras, e tendem a ser menos uniformes na
largura.
A
seda também é usada para as linhas de urdidura, mas em uma quantidade
menor do que a lã e o algodão. Embora, relativamente ao seu diâmetro,
a urdidura de seda seja a mais resistente, ela é cara e refinada. O resultado
é que apenas os tapetes mais requintados são tecidos em urdiduras de seda.
A
uma única trama que passa entre duas fileiras de nós chamamos “tiro”,
e o número de tiros usados entre as fileiras de nós varia de acordo com
o tecelão e a região de tecelagem. Em alguns tapetes, pode haver até cinco
tiros de trama entre duas fileiras de nós.
Como
nas linhas de urdidura, algodão, lã e seda são os mais utilizados, seja
separadamente ou em combinações como lã com algodão, lã, algodão e fio
de pêlo de cabra, ou algodão e seda. Freqüentemente usados em sua
forma natural, as tramas tendem a ser de cor branca, cinza, marrom ou
preta. Por vezes, contudo, são tingidas de diversas cores, mas principalmente
de vermelho, rosa e azul.
São
usados dois tipos básicos de nós para atar o fio: o nó ghiordes (também
conhecido por “nó turco” ou “simétrico”) e o nó senneh (também conhecido
por “persa” ou “assimétrico”). O nó ghiordes é geralmente usado na extremidade
ocidental do cinturão do tapete, e o nó persa, partindo do Irã em direção
a leste.
Há
ainda um terceiro tipo de nó, chamado “jufti”, que é conhecido no mercado
de tapetes como “nó duplo” ou “falso”. Este nó tanto pode ser um ghiordes
ou um seneh que foi envolvido em torno de quatro urdumes, em vez de dois.
Assim, o tecelão dá apenas metade do número de nós, diminuindo a espessura
da felpa e enfraquecendo a estrutura e o desenho do tapete. Para identificar
o tipo de nó usado, dobre o tapete horizontalmente e abra a felpa. O nó
ghiordes é o mais fácil de fazer; um cordão de fios é visível assim que
passa sobre os fios da urdidura.
Obviamente,
a qualidade da felpa tem muito a ver com a qualidade do fio. A maioria
dos tapetes orientais é tecida com
fios de lã, cuja qualidade varia grandemente
de região para região, uma vez que diferentes fatores afetam a textura
e a cor. A melhor lã é a “kurk”, retirada do peito das ovelhas e usada
na criação dos melhores tapetes persas. A lã de pior qualidade, por vezes
chamada de “morta”, é aquela que se remove da ovelha abatida; e é seca
e frágil. Por vezes, outras fibras, como o pêlo de camelo ou de
cabra, são combinadas com a lã, dando à felpa uma textura eriçada.
Nos
melhores tapetes, pode-se usar fios de seda, ou combina-los com a lã para
conseguir um determinado efeito ou acentuar certas partes dos desenhos.
O algodão mercerizado, às vezes chamado de “seda artificial”, lembra a
seda pelo seu brilho e sua textura suave. O algodão mercerizado, de um
branco radiante particular, é ocasionalmente usado na felpa como um toque
decorativo em tapetes turcos e turcomanos.
Porém,
é necessário estar atento. Alguns comerciantes de índole duvidosa podem
tentar fazer algodão passar por seda, mas uma observação atenta mostrará
que o algodão não tem a mesma suavidade ou o brilho da seda – nem mesmo
da lã.
Acabamento
das extremidades
Para
remover o tapete do tear, deve-se cortar a urdidura. A parte do urdume
cortado que permanece presa ao tapete é conhecida como “franja”. As urdiduras
ou franjas cortadas devem receber acabamento de maneira a prevenir que
os nós tecidos fiquem frouxos.
Uma
franja amarrada ou uma tira estreita de Kilim com franjas são os métodos
mais comuns para dar acabamento a essas pontas. O Kilim pode ser liso
ou tecido com cores e padronagens; às vezes adiciona-se uma felpa
ou um ornamento, amarrando-os. Alguns tapetes possuem franjas em apenas
uma extremidade. Nesses casos, a ponta oposta pode simplesmente ser voltada
para baixo e costurada, ou receber uma mera tira de Kilim tecido.
As
Bordas laterais de um tapete podem ser fechadas de muitas maneiras diferentes.
Às vezes forma-se uma simples ourela costurando-se vários fios da urdidura
com os fios da trama. A ourela pode também ser reforçada dando-se um ponto
de chuleio com uma ou duas cores de fio em volta de toda a lateral do tapete. Em
algumas regiões, uma corda lateral é considerada às bordas do tapete depois
de pronto.
Enquanto
o tapete está sendo tecido, os tufos ficam pendurados e, portanto, torna-se
difícil ver o desenho. Ocasionalmente, enquanto a tecelã está trabalhando,
ela vai cortando esses tufos em aproximadamente 2 polegadas (5 cm) de
comprimento e o desenho começa a aparecer. Quando o tapete está pronto
e é tirado do tear, é levado a um tosador mestre, que “apara” o tapete
para criar a franja. Não é necessário dizer que esse processo requer o
trabalho de um profissional habilitado, porque o comprimento da franja
deve ser uniforme. Se o tosador falhar, ele pode acabar arruinando meses
de trabalho e dedicação. Uma das características mais impressionante dos
tapetes orientais é a variedade de cores utilizadas para criar os desenhos.