Examinando
a base e o acabamento dos nós atados de uma peça, distingüimos
logo o tipo de tapete clássico oriental. Ele se caracteriza por
pequenos fios de linha que são chamados atados; esses fios atados
são chamados de flor, ela tem de 4 a 5 mm de altura sobre um fundo
tecido anteriormente. As flores são contadas como nós.
O
exemplo clássico é o tapete Kelim ou Kilim, que talvez tenha
a forma mais antiga de tapete atado.
O tapete de atar é feito sobre uma armação, uma moldura
de madeira, que limita o seu tamanho. A moldura primitiva era simples;
os nômades por exemplo, usavam dois bastões com a medida
do comprimento e dois outros com a medida da largura da peça, formando
assim o retângulo desejado. Assim, os tapetes eram feitos de uma
vez só na medida exata. Já nas manufaturas, as molduras
podiam variar de tamanho, pois eles tinham bastões com dimensões
diferentes e padronizadas, que atendiam a necessidade imposta por cada
trabalho.
O
tapeceiro começa seu trabalho com a confecção do
trançado básico. Este trançado é composto
de algumas correntes colocadas na moldura já na medida definitiva;
o espaço existente entre estas correntes irá definir a segurança
das diversas partes da peça podendo ser mais finas ou mais espessas
quando elas estiverem prontas.
Depois
de esticados, os fios devem medir um pouco mais do que o tamanho total
e definitivo da peça pronta.
Estes
fios verticais só ficam firmes quando o fio horizontal (fio de
arremesso) é tecido. Terminado o traçado básico,
começamos a atar os nós que formam as flores. Os nós
são atados num vaivém dirigido pelo trançado básico.
A execução de cada carreira de nós segue uma direção,
permitindo que cada fio básico fique uma vez voltado para frente
e outra vez para trás do fio de arremesso.
Antes
de começar a atar os nós, é preciso preparar uma
ourela nos lados mais compridos do trabalho. Esta ourela mede geralmente
5 a 10 cm de largura, e dá ao trabalho a garantia que ele precisa
para não desfiar.
A
ourela consiste em prender dobrados duas ou três vezes, juntos,
os fios básicos externos. A beirada do tapete estando pronta, tem
início o trabalho de atar. Nós dividimos em dois grupos
a arte de atar; o grupo formado pelos nós turcos que são
chamados de Gjordes ou Ghiord, também denominados "bola turca".
O outro grupo é formado por nós persas, chamados sinã
ou sennch, também denominados Falsiball. No primeiro grupo, as
duas metades do fio que vão formar o nó envolvem igualmente
o fio básico e depois se encontram e saem juntas na superfície
superior do tapete. Elas ocupam mais espaço no lado direito. No
segundo grupo, uma metade do fio que vai formar o nó envolve completamente
o fio corrente básico e a outra metade somente laça o fio
básico, e os dois sobem paralelos para a superfície.
Ao
terminar uma carreira de nós atados, bate-se os nós com
um pente próprio, para ajustar ao máximo a carreira, ficando
o trabalho bem firme, garantindo assim a segurança do tapete. Depois
de pronto, o tapete recebe a ourela nos lados mais curtos, igual a que
foi feita no início do trabalho nos lados mais longos. O tapete
é cortado e retirado da moldura deixando uma margem de 10 a 20
cm de comprimento nos fios básicos ou correntes; depois, ele é
pendurado para ser feita a franja. A seguir, vem a etapa que da a aparência
final e que valoriza o tapete: é o corte. As peludas pontas são
aparadas. O corte dá ao tapete uma flor mais ou menos curta de
acordo com a preferência dos artesãos da região. De
um modo geral, tanto os tapetes persas como os turcos, tem uma flor curta;
os da Ásia Menor e do Cáucaso tem a flor comprida. O corte
uniforme é um fator importante na valorização do
tapete.
O
comprimento da flor é a marca registrada que cada povo resguarda
nos seus tapetes, para garantir um futuro seguro de qualidade.
Quando se diz que um tapete de lã tem flor curta, significa que
ela não tem mais de 3 mm de comprimento. A flor dos tapetes de
seda, muito finos, não ultrapassam a 2 mm. Existem algumas peças
que têm como característica um movimento estético
na flor; esse movimento se enquadra formando um relevo diferente na estrutura
do tapete; entre esses tapetes temos os Kaiser, que são turcos
produzidos na cidade de Hereke, e os chineses e japoneses.
Conforme o gosto dos representantes, o tapete pode ser atado mais grosso
ou mais fino. O atado mais fino torna o tapete mais leve. Os tapetes leves
demoram muito tempo para serem confeccionados, por isso mesmo são
mais valiosos e mais caros.
De um modo geral, os tapetes mais finos nos chegam das províncias
persas e turcas, enquanto as peças que chegam da Ásia Menor
e do Cáucaso são trabalhos mais grosseiros .
Se quisermos saber se uma peça tem um atado fino, basta contarmos
o número de nós que ela tem em cada decâmetro quadrado
ou em cada quadrado de 1 metro.
Apresentamos
a classificação baseada no número de nós existente
em cada decâmetro quadrado do trançado.
Qualificação |
Nº
de nós/dm2 |
Nº
de nós/m2 |
Muito
grosso |
400
- 800 |
40.000
- 80.000 |
Grosso |
800
- 1.200 |
80.000
- 120.000 |
Meio
fino |
1.200
- 2.400 |
120.000
- 240.000 |
Fino |
2.400
- 3.600 |
240.000
- 360.000 |
Muito
fino |
3.600
- 5.000 |
360.000
- 500.000 |
Finíssimo |
acima
de 5.000 |
acima
de 500.000 |
A venficação é feita pelo lado avesso onde vemos
o número exato de nós e a cor original da parte da frente
do tapete. Quanto mais detalhada a referência, melhor o trabalho.
Para fazer o cálculo seguro dos números, nós nos
servimos de um cartão quadrado medindo 1 dm de lado (10 cm).
Apoiamos
o cartão em diversos lugares da peça e contamos o número
de nós da largura e da altura para ver se conferem. Ex.: Para se
conseguir o número por dm², basta multiplicarmos a altura
pela largura; se o tapete tiver sobre
a altura de 1 dm 19 nós, o número deverá se repetir
na largura; para se saber o total de nós por dm² é
só multiplicarmos 19 x 19 e obteremos 361 nós; este é
o número de atados por dm². A verificação em
várias partes serve para observarmos a uniformidade do tapete.
Muitos fragmentos de tapetes velhos mostram números diferentes
nos diversos lugares que foram testados.
Esse processo se originou da designação persa Regh, método
usado para classificar a espessura do atado. Por este método, a
medida padrão é o Gireh que corresponde a um quadrado com
7 cm de lado, e sob esta medida o tapete deverá ter um número
certo de atados sobre a corrente. Logo, se você medir 50 regh de
uma peça todos eles devem apresentar o mesmo número de atados.
Se tivermos 2.500 atados sobre 49 cm², teremos 510 nós em
cada dm² e por conseguinte 51.000 atados em cada m².
Parece
complicada a arte de atar, mas na realidade é simples; a impressão
que nos dá é que somente quem sabe apreciar o atado oriental
valoriza o trabalho de tapeçaria. Depois de muitas pesquisas concluímos
que: um atador sem prática leva 10 segundos para conseguir executar
um atado fino; um outro mais experiente leva 5 a 3 segundos e um mais
rápido gasta somente 2,5 segundos. Esse tempo vai variar se houver
mudança de cor ou se forem envolvidos pares de fios no arremesso.
Ainda sobre o tempo gasto na execução do trabalho, para
tecer 1 m², calculando as folgas que seriam necessárias durante
um dia de trabalho, o artesão gastaria o tempo que foi esquematizado
na tabela abaixo, já estando incluido também 35% para formar
a estrutura, tempo para mudar de cor, batida do pente para acertar os
atados e para mais alguns enriquecimentos.
Tempo
Para Atar
Para
preparar um metro quadrado de tapeçaria, o atador precisa de:
Adaptação |
Fabricação
Diária |
Qualidade
dos atados
Número por m² |
1896
atados |
3792
atados |
7584
atados |
| |
Dias |
Dias |
Horas |
Dias |
Horas |
| Muito
grosso |
31 |
15 |
4 |
7 |
6 |
| Grosso |
53 |
26 |
4 |
13 |
2 |
| Meio
fino |
95 |
47 |
4 |
23 |
6 |
| Fino |
159 |
79 |
4 |
39 |
6 |
| Muito
fino |
229 |
113 |
4 |
56 |
6 |
| Finíssimo |
318 |
159 |
- |
79 |
4 |
Para
atar um tapete Aderbil, por exemplo, é preciso que 10 atadores
trabalhem nele durante um período de 2 a 4 anos. Já o tapete
de caça de Viena precisa de 8 atadores trabalhando nele durante
3 anos.
O
valor de um tapete oriental começa a ser contado pelo tempo e quantidade
de atadores necessários para executá-lo. Se pudéssemos
hoje, ter como base de custo os salários europeus, então
os seus preços não oscilariam tanto.
A etapa essencial para um tapete chegar ao seu destino, depois de pronto
é o arremate, a execução da sua margem; ela é
que oferece a segurança transversal do tapete e a firmeza ao longo
dos atados trançados artisticamente. A maioria das peças
asiáticas tem uma margem 25 cm mais larga que as dos demais tapetes.
Os tapetes de Beludschistan têm suas margens adornadas por listras.
Quanto mais fino o tapete, mais trabalhadas são as suas listras.
Nos tapetes Schiras, encontramos listras executadas com a técnica
Sumak, que é muito parecida com a técnica Gobelin.
Os
beirais e ourelas dos lados mais compridos dos tapetes de lá precisam
ser reforçados por um conjunto mais grosso de fios básicos
enrolados. Nas peças de valor, muitas vezes as ourelas não
aparecem no tapete.
Não
se deve desprezar a importância do julgamento feito pelo lado avesso
do tapete. Neste lado é que está a sua segurança
e garantia de qualidade. O atado forma no lado avesso dois pequenos ressaltos.
O número de saliências separadas por diversas carreiras largas
de arremesso indica a localização de uma flor. Quanto mais
estreitas as carreiras de arremesso tanto mais sólido será
o trabalho. Os trabalhos perfeitos não deixam os fios de arremesso
aparecerem, tal qual o avesso de um bordado.
Quanto
mais esticado o atado das saliências, tanto mais firme será
a trança do tecido. A firmeza do tecido é assegurada em
cada pedaço do atado. Os atados persas têm um avesso quase
liso, os fios atados são muito esticados. Os fios curtos de lã
encontrados sobre o lado avesso do tapete diminuem a friagem do chão.
Às
vezes encontramos velhos pedaços de tapetes da Ásia Menor
que não apresentam no lado avesso as saliências situadas
uma embaixo da outra como deveria ser; nestes casos, são introduzidas
pontes de arremesso (linhas intermediárias) para consertar as carreiras
que não seguem a linha certa. Isso ocorre principalmente nos tapetes
Gjorde de oração.
No
tapete Wirk, também chamado Kelim ou Kilim, o arremesso também
faz parte da decoração do tapete; ele é utilizado
como flor, formando motivos coloridos. As linhas de arremesso coloridas
dão uma abertura característica.
Quanto
mais fino, mais rico e delicado o trabalho Kilim, mais será procurado.
Um velho e fino Kelim consegue atingir o preço equivalente ao de
um tapete que tem a flor atada. Outro tipo de tapetes que segue esta arte
é o Sumak.
No
seu atado, a corrente e o debrum são providos com um arranjo especial,
e os arremessos de lã ligados continuamente formando desenhos.
O fio colorido é trazido de trás para frente sobre quatro
fios, depois muda de direção, passa por dois fios da parte
de trás e volta para a frente, e assim a corrente vai sendo enrolada
sucessivamente. Depois de cada duas carreiras, o arremesso é trazido
do fundo invisivelmente. O princípio e o fim dos tapetes são
protegidos por franjas.