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  » Confecção » Tingimento

O tingimento das fibras é um processo delicado, que varia de acordo com o corante usado e as cores desejadas. Por requer uma enorme habilidade e precisão, esse processo intrincado é considerado uma forma de arte. De fato, o mestre (que invariavelmente é do sexo masculino) é uma figura por vezes misteriosa e reverenciada no povoado. Em muitas cidades e tribos, seus sábios conselhos são procurados para uma variedade de assuntos, em particular os que concernem às ervas, e seus segredos referentes aos corantes são cuidadosamente guardados e passados de geração a geração, de pai para filho.

Antes de começar o processo de tingimento, a lã deve estar devidamente preparada. Depois de fiada, deve ser limpa novamente para que os corantes penetrem em sua fibras. Em seguida, é tratada com um elemento químico para fixar a tintura. Os mordentes mais comuns são o alúmen, o ferro, o cromo e o cobre. Dependendo do mordente usado, a cor do corante pode alterar-se.

O verdadeiro processo de tingimento é o seguinte: depois do fio ter sido limpo e tratado, as mesadas de lã são submersas num banho de tintura, que é uma solução de água e corante, sendo, em seguida, levada a ferver, tendo o cuidado de mexer a lã para assegurar uma coloração uniforme. Depois de concluído o tingimento, a lã é pendurada para secar ao sol.


Uma vez seca, está pronta para ser tecida. Os fios de seda e algodão são tingidos da mesma forma, e com os mesmos tipos de tinturas.

A criação dos corantes é um processo complicado, onde são usados dois tipos básicos: os naturais e os sintéticos.

Corantes Natuais

tintas05.gif (33359 bytes)As plantas são a fonte predominante para os corantes naturais, mas eles também podem ser extraídos de insetos. As tinturas mais usadas feitas de plantas incluem a garança, que produz uma cor vermelha-amarronzada e é derivada da planta de mesmo nome: o índigo, cujo resultado é um matriz de azul-claro, extraído das folhas do indigueiro; o lítio-dos-tintureiros, que dá uma tinta de cor amarela ou dourada; a romã, que produz um tom laranja; a cebola, que dá uma cor amarela ou de cobre; e a noz, o carvalho e outras castanhas que produzem nuances de marrom. Alguns dos insetos freqüentemente usados são a cochonilha, que produz um matriz de vermelho, e o Dactylopius coccus cacti, que produz um tom amarelo.

As cores produzidas pelas plantas ou pelos insetos podem mudar drasticamente, dependendo do mordente a ser utilizadotintas02.gif (32817 bytes) para fixar a tinta. Por exemplo, um corante de casca de cebola combinado com alúmen produz um amarelo-dourado, mas o mesmo corante preparado com cromo resulta em cor de cobre.

As tintas naturais são os mais antigos corantes utilizados e podem criar belos tapetes e cores. Dependendo da qualidade das tinturas, um tapete colorido com tintas naturais pode ser extraordinariamente valioso. 

 

 

Corantes Sintéticos

Muitas pessoas consideram os tapetes tingidos com corantes sintéticos de baixa qualidade. Mas essa generalização não é verdadeira; a qualidade desse tapete vai depender do tipo de corante sintético utilizado para tingí-lo.

O primeiro corante sintético foi fabricado em 1856, por William Henry Perkins, em Londres. Conhecido como “corante de anilina”, foi aplicado diretamente a lã numa solução alcalina. Inicialmente, o corante parecia ser um meio efetivo de se criar cores vibrantes, de forma relativamente fácil e pouco custosa. Entretanto, percebeu-se que as cores não eram firmes; elas soltavam tinta quando lavadas e desbotavam quando expostas ao sol.

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Na década de 70 do século passado, foi desenvolvido um outro tipo de corante, chamado “corante ácido direto”, que foi aplicado à lã em um banho de tintura acidífero. Apesar destes corantes não desbotarem, continuavam soltando tinta quando colocados em água e costumavam ter tons berrantes. Os azocorantes, também da espécie dos ácidos diretos, foram introduzidos no final do século XIX. Estes provaram ser de melhor qualidade, apesar de algumas cores ainda desbotarem.

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Na década de 40, foram desenvolvidos os corantes cromados, que requerem uma mordentação ao cromo para fixar a cor. Quando estes corantes são usados, a lã é tratada com dicromato de potássio para que receba a tintura mais pronta e uniformemente. Foram ainda desenvolvidas outras tinturas metálicas complexas, que combinavam o corante e o mordente, criando cores adicionais. Por fim, em anos mais recentes, foram criados corantes que reagiam com a fibra. Com essas tinturas, a parte da molécula do corante responsável pela cor liga-se a uma molécula de lã, permitindo que o corante se torne parte da estrutura química da lã. Com isso, os corantes fixam melhor a cor, mas são mais caros.

Os corantes e a qualidade dos tapetes

A qualidade do corante afeta o valor do tapete de duas maneiras: no tom e na intensidade da cor e na resistência ao desbotamento. Os tapetes tecidos antes de 1870 devem ter sido feito com corante natural; os tecidos depois desta data podem ter sido tingidos de várias maneiras diferentes. A qualidade da cor será óbvia; ou seja, ela será atraente ou então será berrante ou desbotada. A firmeza das cores, por outro lado, não será tão aparente, a menos que o tapete já esteja bastante desbotado. Os compradores podem testar a cor esfregando levemente sobre o tapete um lenço branco umedecido com saliva.

Às vezes, uma variação no tom, conhecida como “abrash”, é visível em uma determinada área do tapete, como o campo. Essa variação ocorre porque o fio absorveu o corante de maneira desigual ou porque o fio utilizado foi tirado de diferentes lotes de corantes. O abrash pode ser atraente, dando ao tapete uma suave opulência, ou pode ser abrupto e berrante. Mais uma vez a questão não é o fato da cor variar; o que importa é como a variação no tom foi executada.

Tapetes "pintados" 

Durante as décadas de 20 e 30, muitos tapetes importados da Pérsia foram considerados radiantes demais para o mercado. Para que parecessem mais atraentes para os americanos, estes tapetes passaram não só por uma lavagem química como também por uma “pintura”, ampliada à mão, que escurecia a cor. Os tapetes vermelhos geralmente recebiam esse tratamento para que se tornassem marrons. Seguiu-se a esse processo de pintura um outro processo para lustrar o tapete. A maioria dos Sarouks foi “pintado” dessa maneira, assim como o foram alguns Mahals, Hamadans e mesmo alguns Isfahan valiosos.

O termo “pintado” tanto pode ter uma conotação positiva quanto negativa. Muitos tapetes orientais que chegaram a ser considerados antigüidades valiosas, como os Sarouks, foram pintados. Assim como a utilização de vários corantes sintéticos, a técnica de pintura não afeta necessariamente o valor do tapete, a menos que o processo tenha sido mal-executado, criando uma aparência borrada.

O termo “pintado”, entretanto, é usado às vezes para referir-se aos tapetes que foram coloridos com tinta a base de água acrílica para esconder áreas puídas. Nestes casos, a alteração não apenas deprecia o tapete; ela é antiética.

Existe uma opinião muito difundida que a tintura “vegetal” ou as tinturas “naturais” sejam superiores às tinturas “sintéticas”, e que um tapete tecido com as tinturas “vegetais” seja de todas as maneiras um tapete melhor do que um tapete tecido com cores sintéticas. No fato, não é geralmente possível separar as tintas usadas em muitos tapetes nestas duas categorias puras, e o mesmo já é  possível em algumas tinturas “vegetais” que são muito mais distantes na cor ou danificação uniforme das lãs do que as tintas “sintéticas” que rende a máscara equivalente.

 

 


No geral, “Nas tinturas vegetais” são feitos uma bateria de exame e teste para se ter uma indicação de uma cor mais tradicional, mais rural, simbolizando e caracterizando o  tapete do país que o tece, quanto as tinturas sintéticas são consideradas mais características da cidade ou da produção comercial.

 

 

 

 

Nos vinte anos passados houve um aumento enorme na quantidade, na variedade e disponibilidade dos tapetes tingidos com tinta vegetal. A tendência começou na Turquia ocidental nos anos 1960's passados, mas o conhecimento de tingir com tinta vegetal agora se espalha pelo Afeganistão, na Índia, no Paquistão, e também no Nepal.

 

 


Os tintureiros também aprenderam rapidamente combinar cores para produzir uma grande variedade de cores diferentes. Não há, por exemplo, nenhum material “vegetal” da tintura que rende o verde (uma cor importante se você estiver interessado em comprar um projeto floral!). Exemplo: Primeiro se tinge a lã com a cor azul extraído de raízes profundas da árvore INDIGO, depois se tinge a lã azul com o amarelo extraído do larkspur (fervendo por pouco tempo as folhas da planta de LARKSPUR até produzir o amarelo) resultando na cor verde.

 

 

 

Com o tingimento da lã, se extrai as mais belas cores. Resultando num trabalho excelente na confecção dos melhores tapetes orientais.

 

 
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